Esta é a primeira edição da coluna Falando em Jogos e, assim, cabem algumas palavras de apresentação.
Primeiramente, meu nome é Luiz Cláudio Duarte. Sou jogador de jogos de tabuleiro desde 1978, quando fui impulsionado a este universo pela antiga coleção Todos os Jogos, da Editora Abril. No ano seguinte, participei da fundação de um dos mais antigos grupos de jogadores ainda em atividade no Brasil, a Confraria Lúdica.
Durante alguns anos dediquei-me principalmente a jogos de guerra (wargames) mas, em 1984, comecei também a jogar RPGs. Na década de 1990 participei brevemente da febre dos CCGs e, já no século XXI, continuo ativo no mundo dos modernos jogos de tabuleiro, os jogos de autor. Presentemente, estou ministrando um curso de design de jogos no Estúdio Kodama, em Curitiba.
O propósito desta coluna é discutir jogos de tabuleiro, com especial ênfase nos modernos jogos de autor. Vou falar sobre jogos em geral e apresentar resenhas de jogos específicos. Também pretendo apresentar a minha visão sobre vários aspectos da experiência lúdica.
Esta experiência lúdica é possivelmente um componente essencial da alma --- e não só da alma humana. Quem quer que tenha visto filhotes de cães ou gatos sabe que brincar não é uma característica peculiar ao H. sapiens. Mas jogar vai além de brincar --- a brincadeira não tem um objetivo definido, ao contrário do jogo. Neste sentido, não foi à toa que Johan Huizinga declarou que "o jogo puro e autêntico é uma das principais bases da civilização" (em seu livro Homo Ludens, no qual analisa a fundo os jogos e sua motivação).
De fato, os jogos são provavelmente coetâneos com a civilização. Mesmo os Mancalas, que podem ser prehistóricos, têm confirmação arqueológica datando apenas do século V da era cristã. Os jogos mais antigos foram encontrados em túmulos nos berços da civilização, no Egito e na Mesopotâmia.
É interessante notar que, ao longo da maior parte da experiência cultural humana, jogos eram atividades para adultos, ao passo que brinquedos eram atividades para crianças. A noção de jogos infantis --- e, por extensão, a noção que jogos são coisa de criança --- é historicamente muito recente, e confinada à cultura ocidental.
Os modernos jogos de autor procuram resgatar esta herança cultural, pois em sua maioria não se tratam de jogos com apelo infantil.
Vamos explorar juntos este universo.
Agora é juntar o pessoal e fazer uma mesa aki em Ctba !
Metrux (e outros jogadores de Curitiba que possam ler esta materia), sugiro os seguintes links: http://www.confraria-ludica.org/forum/ http://groups.google.com/group/curitiba-rpg http://groups.google.com/group/jogos-cwb?hl=en https://www.facebook.com/groups/jogadores.cwb/ http://www.worldrpgfest.com.br/blog/
• Em 26 de Setembro de de 2011 às 14:45