Há um ditado popular bem conhecido aqui no Brasil, que diz algo parecido como "de certo nessa vida somente a morte". Eu vos pergunto: será mesmo? Será que realmente existe morte?
Qualquer pessoa com um mínimo de autoconhecimento poderá confirmar que todos os seres humanos têm instintos. Temos os instintos mais baixos, por certas vezes irrefreáveis, mas há também instintos tão impregnados no ser humano quanto esses, que no entanto, por vezes, passam desapercebidos. Um desses instintos é o Instinto de Eternidade.
Todo ser humano quer ser eterno. Não é a toa que há muitos mitos, lendas e histórias acerca da busca da vida eterna, assim como também da recuperação da juventude. Procuramos a todo custo deixar nossa marca para a posteridade, queremos ser únicos, exclusivos. Há alguma parte de nós que nasceu para ser algo que ainda não somos, e que temos medo de não ter tempo de ser. Temos medo da morte, temos medo que o mundo continue melhor sem nós.
Durante milênios a humanidade se pergunta o que veio fazer aqui e para onde irá depois da morte, que é a única coisa certa da vida. Muitas respostas foram dadas, cabe a nós estudá-las e refletir sobre o que elas podem representar e acrescentar para a nossa vida.
No mundo atual temos um problema. Um sério problema. Somente damos crédito a coisas cientificamente comprováveis. A coisas palpáveis. A coisas mensuráveis. E mesmo que seja a maior asneira do mundo, se foi comprovado cientificamente, é verdade. Mas meus caros amigos, sinto muito em lhes dizer, a Verdade não é palpável. Não é mensurável. Por muito que você queira não poderá beijá-la... nem sequer tocá-la. Talvez, se tiveres sorte, terás o prazer único de sentir o seu perfume. Esse é o mal do materialismo. Por querer aprisionar a Deusa da Verdade em leis comprováveis, termina-se por colocar correntes em uma gazela manca.
Mas já que todos nós gostamos de comprovações factíveis vamos começar, de forma extremamente resumida, com as pesquisas científicas acerca da morte. Tem-se uma infinidade de relatos de pessoas que tiveram o que se chama de EQM (Experiência Quase-Morte). Ou seja, pessoas que sofreram algum tipo de acidente, e por algum motivo quase foram, mas não foram. E todas elas tem relatos muito parecidos. Todas falam de uma luz (ou sim, um túnel de luz), relatam distorções em relação ao tempo, uma sensação de leveza e como se houvesse uma passagem, na qual, sabiam, se passassem daquele ponto, não haveria mais como voltar. E a grande maioria delas voltou muito diferente, valorizando as coisas realmente importantes para elas, com um nível muito maior de generosidade e altruísmo.
Como filósofo, acredito que a melhor maneira de nos aproximarmos da Verdade, é realizando um estudo comparativo, onde possamos ver o que há de melhor em cada cultura, povo, civilização ou pensador, extraindo dali o que há de mais valioso para nós. Quando fazemos isso, é notório que na maioria das vezes encontramos um padrão que se repete, um tipo de ensinamento que é sempre dito de forma diferente, conforme a época ou a região. Ao meu ver, aí está a Verdade!
Então, seguindo nessa linha, gostaria de lhes mostrar como todas as civilizações, de todas as épocas, de diferentes lugares do mundo, que não tem qualquer possibilidade de terem se conhecido diretamente, disseram as mesmas coisas acerca da morte.
Todos eles falaram que existe vida após a vida. Todos eles falaram que a nossa existência não acaba aqui. Os gregos representaram isso com o movimento dos golfinhos, onde ora eles estão acima da água e ora estão mergulhados nela. Os egípcios tinham a cruz de Ankh que representa o Homem crucificado no tempo e no espaço e a imortalidade da sua alma. E todas as religiões falaram disso.
Enfim, não quero colocar diante de vocês uma crença específica. Quero apenas, que façam a relação que podemos fazer disso com o RPG. E gostaria que tivessem a visão de como é produtiva a experiência que o RPG nos dá em relação à morte.
Notem, no RPG você se apega ao seu personagem, tal qual na vida real nos apegamos a quem acreditamos ser. Mas tão logo deixamos a mesa de jogo, já não somos mais aquele personagem. Ou tão logo aquele personagem morre, facilmente criamos outro novamente. Quem sabe a Vida, a verdadeira, também não seja assim. Talvez tenhamos apenas que entender qual é o nosso personagem da vez, interpretá-lo o melhor possível, fazer com que alcance os seus objetivos, que são, inclusive, em prol dos demais. Para que num futuro, voltemos de alguma forma, desempenhando outro papel.
Não quero entrar no mérito da crença, mas acredito piamente que, no mínimo, esse pensamento vale como reflexão. Talvez nossas atitudes mudassem um pouco se tivéssemos consciência de que a vida não acaba com a nossa morte. Dessa maneira poderíamos compreender melhor a beleza do nosso destino. Tal qual o personagem que por salvar o reino acaba morrendo. Conquistou o seu objetivo. É um ser realizado. E ninguém haverá de ficar triste, pois logo em seguida, outro personagem será feito.
• Em 25 de Outubro de de 2011 às 18:51