Saudações rpgísitcas.
Que o RPG é uma brincadeira de faz de conta, todos nós já sabemos não é? E porque será que estas brincadeiras existem e agradam, desde crianças até adultos, em diversas culturas? Talvez pelo simples motivo que os jogos de imaginação contribuem para o aprimoramento do saber e nos preparam para situações reais. A fantasia, a imaginação sempre fez parte desse desenvolvimento.
Em diversas culturas as crianças desde cedo aprendem a brincadeira do ‘faz-de-conta’. Até mesmo em tribos indígenas apresentam jogos em que crianças imitam os mais velhos, adquirindo e aprendendo desde cedo os costumes e os hábitos de seu povo ao qual mais tarde irão se entregar. O jogo faz parte da natureza humana, como um projeto, um caminho que deve ser testado.
Parafraseando o pesquisador Chateau, imagine uma brincadeira de menina, como a de mãe e filha. Brincar de mãe e filha é exercitar-se no plano imaginário para a realização concreta futura. O mundo do jogo é, então, uma antecipação do mundo das ocupações sérias. Pode-se objetar dizendo que a criança não vê tão longe, que o jogo não é um treinamento. Mas a experiência do jogo concretiza, de fato, um treinamento involuntário. O jogo prepara para a vida séria, como um projeto. Através do jogo, a criança conquista essa autonomia. Essa personalidade, e mesmos aqueles esquemas práticos necessários à vida adulta. Ela não as conquista em coisas concretas e pesadas para manipular, mas através de substitutos imaginários. Ela opera como o futuro aviador que se exercita primeiro numa situação simulada, antes de se arriscar a pilotar um avião real. O jogo é um artifício pela abstração: cozinhar pedras é uma conduta mais simples do que a cozinha real, mas nessa conduta simples vai-se formando um futuro cozinheiro (a).

“Meus favoritos”
Como disse no artigo anterior, estamos num mundo cada vez mais opressivo, onde tudo é mais fácil, mas as exigências são maiores. Talvez, a maior contradição social seja o estimulo ao individualismo, quando os avanços tecnológicos obtidos poderiam tonar a socialização e a cooperação muito maiores.
Além disso, estes avanços tecnológicos sufocam a liberdade de se brincar, correr e interagir, alterando um hábito natural. (Hoje em dia ouço cada vez mais a expressão “Piá de prédio”). “O ato de brincar, tão necessário à formação da criança tem se alterado nas ultimas décadas. O avanço tecnológico provocou modificações nos hábitos da sociedade, incluindo as formas de lazer; as crianças deixaram as brincadeiras de rua, passando a viver em espaços confinados, quer em apartamentos quer em shopping centers. A televisão e a internet por exemplo, ocupa as horas livres das crianças, impedindo-as de se dedicarem a atividades participativas como os divertimentos de outros tempo, onde a criança exercitava naturalmente todo o seu corpo e sua imaginação.” (HIGUCHI, 2000)
Imaginem a minha decepção ao me deparar com alguns de meus alunos de faixa etária entre 13 e 15 anos que dizem passar de 6 à 10 horas por dia em frente ao computador. Questionei certa vez o ‘porque’ disto numa turma e a maioria me respondeu que “não havia mais nada para se fazer.”!
“Nada a se fazer?!!!” É justamente por esse motivo que as brincadeiras e os jogos de imaginação são tão importantes. Como vocês acham que nossos avós e bisavós brincavam? Experimentavam e desenvolviam sua imaginação através de suas próprias criações, muitas vezes usando o que os adultos não julgavam mais necessário. As crianças escolhiam por conta própria seus próprios brinquedos, não raramente entre os objetos que os adultos jogavam fora. (carrinhos eram pedaços de madeiras com rodas de tampinhas de refrigerantes). E estamos falando da geração de Steve Jackson, Dave Arneson e Gary Gigax. De Steve Jobs. E antes deles de tantos outros inventores e criadores geniais.
Não estou falando para por fogo em nossos pcs e vídeo games e nem dizendo que a geração X e a geração Y não sejam capazes de feitos grandiosos. Mas ainda é recente esta transformação e adaptação. Que a falta de brincadeiras antigas determinam muito das características individuais nenhum estudioso põe em duvida. Mas o que o futuro irá determinar, só o tempo dirá.
O meu chute vai para que grandes invenções e inovações em qualquer área de pesquisa surjam da mente da maioria esmagadora de cabeças criativas como a dos rpgistas.
Semana que vem continuamos o assunto abordando mais o aspecto da oralidade.
Reflexão do dia: quais eram suas 3 brincadeiras favoritas de criança? Videogame não conta!
• Em 16 de Junho de de 2012 às 17:47