O RPG Online realizou uma pesquisa com alguns de seus jogadores do RPG2ic e descobriu várias dicas interessantes para os jogadores poderem aprimorar suas interpretações. Sabe-se que há diferenças entre o RPG Narrativo de mesa e o online, no entanto, as dicas presentes poderão ser aplicadas em quaisquer dos casos.
1. Jogador X Personagem
A primeira coisa que deve ficar clara é que o personagem é um ser que tem vida própria, história própria, certos padrões de pensamentos e de emoções. E outro ser totalmente diferente é o jogador, que tem a sua própria maneira de pensar e agir. O jogador deve saber separar muito bem quem ele é, e quem é o seu personagem, tal qual um ator de cinema ou de teatro o faz.
2. Conhecer bem o personagem
Agora que já se sabe quem é quem, é imprescindível que o jogador conheça a fundo o seu personagem. Quanto mais no íntimo o jogador chegar dos segredos do seu personagem, tanto melhor será sua interpretação. Os únicos detalhes são o físico e as habilidades que o personagem possui; os confins da psique humana (ou seja lá qual for a raça do seu personagem) são infinitos. Traumas, medos, inseguranças e receios; virtudes, amores, paixões e decisões; detalhes, tiques, manias; objetivos de vida e códigos de conduta; história e regionalismos; família, amigos, inimigos, clientes; enfim, destrinche a vida do seu personagem até que ele se torne tão claro, vívido e real quanto você mesmo se nota ao olhar-se no espelho. Se você não conhecer bem ele, ninguém mais saberá como ele é.
3. Seja fiel
Uma vez definidas a história, a psicologia e os atributos do seu personagem, o jogador deve manter-se fiel ao que ele mesmo definiu. A graça do RPG está em tornar real a imaginação e não em ser mais forte ou habilidoso com algum tipo de arma, portanto, não queira mudar algum tipo de característica porque pode dar um combo de dano maior se isso não condiz com a própria natureza do personagem em questão.
4. Detalhes, detalhes, detalhes...
Em certa feita um grande filósofo disse “Deus está nos detalhes”. Pois bem, RPGísticamente falando, podemos dizer que “A alma do personagem está nos detalhes.” A forma de segurar o cigarro, o modo de conjurar as magias com toscas rimas, o ladino que acredita ser mais habilidoso do que é ou a frieza mortal de um assassino que deixa escapar sua compaixão em imperceptíveis ações. Detalhe ao máximo suas ações, assim todos os jogadores e o mestre poderão entender melhor o que está se passando e inclusive, agir no mesmo nível de jogo, obtendo uma sinergia única.
5. Saiba do que se trata, mas bolinhas ou números não significam nada...
É importante saber do sistema e do cenário. Aprender ou ler algo, se necessário. Não se pode jogar como um Cavaleiro Templário se você nunca ouviu falar em um. Quanto mais detalhes você souber sobre o funcionamento do sistema e do cenário onde se passará a aventura, mais ferramentas você terá para interpretar melhor. No entanto, saber as regras de cor e salteado não serve para nada...! (como assim...? que tipo de jogo é esse?) Os números são somente base para rolagem de dados, para eventuais ações. A essência do RPG está na interpretação e, inclusive, há muitas campanhas mestradas sem o suporte de sistema algum.
6. Viva o personagem mas não se esqueça de que é só um jogo!
Entregue-se a ele de corpo e alma. Torne-se ele. Deixe que ele tome conta do seu ser! Quando pintarem as dificuldades, veja através da visão que ele tiver e entenda quais são as limitações dele, pois talvez você não as tenha. Sonhe os sonhos dele, odeie quem ele odeia, minta como ele mentiria e ria das piadas que só ele acharia graça. No entanto, lembre-se que isso tudo apenas é um jogo, uma brincadeira, e que ao levantar-se da mesa a vida continua. Não vá ficar bravo porque o personagem do seu amigo acabou “matando sem querer” o seu em uma rolagem crítica.
7. Acima de tudo a diversão e o respeito
Todos devem lembrar qual é o objetivo inicial de uma boa mesa de RPG: diversão. Ou seja, se por alguma questão algo está criando demasiado atrito entre os jogadores e o mestre, então a diversão acabou e o jogo não vale mais a pena. Basta que todos mantenham a consciência em relação ao ambiente em que estão, aos amigos e ao respeito mútuo.
O Portal RPG Online agradece a todos os usuários que participaram da pesquisa. A matéria apenas reflete a convergência das suas opiniões.
Esse é o tipo de matéria que devemos linkar em nossas salas, parabéns Tay !
Primeiramente gostaria de parabenizar o autor da materia, que colocou em um texto de facil entendimento a essencia de jogo interpretativo, ou seja, de um RPG, nao e porque o jogo ocorre em Arton ou no WOD, a interpretaçao e compreensao do cenario sao prerequisitos para um jogo serio, utilizo sempre estes preceitos em minhas mesas, afinal, a graça de jogar rpg e interpretar, nao e mesmo? concordo com o Neogedom, muitos nao tem tamanha consciencia da importancia de uma boa compreensao do seu personagem, ainda mais em jogos que focam no suspense e horror, esta situaçao e triste, mas creio que aos poucos vamos melhorar o nivel de conhecimento, experiencia e habilidade dos jogadores do nosso querido 2ic. . . espero que mutios leiam a materia e acima de tudo a compreendam e interiorizem sua essencia para que possam adentrar em um nivel de jogos mais elevado . . e vamos continuar, pois todos tem algo a aprender, nao e mesmo?
Muito boa matéria Tay Chetta (Quem e ele mesmo? xD ) Com certeza isso vai ajudar muito aqueles que querem se tornar otimos rpgistas, também e uma base a seguir pra quem joga sistemas bem interpretativos....Congratulations man Ò_Ó/
Queria adicionar uma coisa a matéria, do ponto de vista de um Mestre/Narrador. Na minha opinião, nós, mestres e narradores, precisamos ser exemplo de jogo. Nossos NPCs precisam ser bem detalhados, nossas interpretações precisam ser condizentes. Não podemos cobrar nada de nossos jogadores se nós pecamos quando apresentamos pra eles o nosso mundo. O que eu vi acontecer é que muitos jogadores acabam não conseguindo as salas que desejam pela exigência de um mestre ou pela preguiça de fazer um bom personagem e decidem eles mesmos mestrar uma campanha de acordo com a sua visão de jogo. Como resultado acabamos tendo mestres que descrevem cidades inteiras em uma frase, perdendo-se em rolagens e mais rolagens de dados sem sentido, sem consistência e sem propósito. E essas salas acabam servindo de mau exemplo para novatos no 2ic, dando a eles uma visão errada do RPG narrativo, infelizmente. Mestrar exige responsabilidade e dedicação. Tay Chetta, Excelente artigo.
Obrigado, so por lembrar que isso é um jogo, muitas pessoas precisam saber disso.
thales00 Realmente concordo com o que por voce foi dito, e triste vermos o nosso meio abarrotado de salas onde a interpretaçao nao acaba sendo o foco, assim desencadeando um serie de pecados e transgressões tanto na narraçao quanto na parte do jogadores, enfim, temos que assumir que o jogo e o conjunto, nao adianta apenas um jogador da mesa presar por um jogo exigente, todos tem de ter o desejo de melhorar e serem jogadores responsaveis, assim se dedivando mais ao nosso hobby, ou melhor, a nossa arte. voltando ao assunto dos proprios narradores relapsos, estes acabam passando uma imagem ruim, que acaba depressiando a todos nos, outro dia entrou um jogador novato que se revelou um visitante de outro programa de Rpg narrativo online, ele estava desanimado pois em todas as salas que ele entrou nenhuma tinha uma dita "qualidade" de narrativa satisfatoria para o jogo proposto, assim entrando na descriçao ja citado sobre "a cidade descrita em duas linhas", lamentavel ver isto (..)
(..) mas temos a chance de melhorar, como eu sempre digo " o bom do rpg e que sempre podemos aprender algo novo apenas lendo", e tao simples melhorar, nao e mesmo? apenas se esforçar um pouco mais e ler sobre o seu cenario, como narrar melhor, artigos sobre como narrar determinados temas tem aos montes pela internet, como criar cenarios, lidar com jogadores iniciantes, vivemos em uma epoca de conhecimento, basta ter o desejo de melhorar a cada dia. Entao o que acham de sairem da zona de conforto em que a maioria dos mestres iniciantes aparentemente estao, uma zona que acaba sendo classificada como insatisfatoria por muitos, vamos para de nos acomodar com estes narradores mediocres? colaborar para um 2ic melhor, ajudar o RPG nacional a subir mais um degrau.. mas apenas nos unindo e presando por mesas melhores e mais dedicaçao por parte dos narradores.. bem minha humilde opiniao..
A materia foi legal de ler ^^, acho importante presar pela narrativa também, entretanto quanto aos jogadores tenho uma opinião um tanto unica....,creio que os jogadores ,iniciantes ou inexperiêntes se sentem amedrontados a principio pelo clima sério d+ que envolve por muitas vezes as messas de jogo, é dificíl manter o interesse dessas pessoas, quando elas vão se sentir hostilizadas nos ambiêntes porque "não representam bem"....., acho que isso vem com o tempo, é um processo natural, se apenas um jogador for um tanto inexperiênte ele vai acabar aprendendo com os outros....., isso claro se ele não se sentir hostilizado pelo clima e pelo ambiênte, por isso acho importante, zelar pelo clima bom, ser gentil, explicar direito as coisas, e obviamente permitir que os iniciantes, eles mesmos adentrem na historia por sua própria vontade, depois de ver como os outros estão se divertindo ^^. É requisito basico ter em mente que é apenas um jogo para se divertir e nada mais....
Ludwig Mies van der Rohev não era um filósofo, e sim um arquiteto. Mas enfim, ótima matéria.
Ótima matéria, realmente devia linkar em todas salas. XD
A imagem da página é do livro: O nome do Vento, bom pra entender como interpretar o personagem realisticamente. O livro está sempre quebrando clichés.
• Em 02 de Junho de de 2011 às 20:05