Santas carambolas! Um RPG com um sistema simples, e conhecido pela maioria ( D20-Based, baseado no D&D ) mas com algumas pequenas modificações que transformam sistema pouco realista num... bom, menos realista mas ainda assim divertido sistema de heróis. Vamos ao básico, o que é M&M (além de um delicioso chocolate)? Mutantes & Malfeitores, ou Mutants & Masterminds em inglês, é um RPG publicado originalmente pela editora americana GreenRonin Publishing e traduzido para português pela editora Jambô. Nele os jogadores interpretam heróis, anti-heróis, super-heróis, ou quem sabe vilões. O universo pode ser criado pelo narrador ou retirado de algum dos suplementos.
O sistema é bem parecido com D&D, tendo uma ficha bem parecida também, mas tem umas diferenças fundamentais. Primeiro e mais importante, o M&M usa apenas 1d20 para todas as rolagens, dessa forma simplificando o sistema para quem não conhece. E para os que conhecem D&D e estão se perguntando como funciona o sistema de dano e magias sem outros dados, vou explicar por superficialmente mais à frente mas recomendo a leitura do livro para mais detalhes e posso adiantar que é um sistema bem pouco realista (como se pessoas com superpoderes fosse algo extremamente realista...).
Como deu para perceber o jogo é genérico, se adaptando a várias situações e cenários. O livro básico não estipula como é o universo do jogo, então super-humanos podem ser tão raros quanto o narrador decidir desde uma campanha na qual apenas os PCs e uma seleta lista de NPCs tenham poderes indo até um mundo onde TODOS os humanos tem algum superpoder. O sistema nem sequer limita os motivos para os poderes (Sim, prepare-se para ter 2 jogadores mordidos por insetos radioativos, 1 mutante, 1 vítima de experimento militar e 1 mercenário MUITO bom no que faz) nem mesmo obriga o jogador a fazer alguém com poderes; pense em personagens de quadrinhos como o Justiceiro que não tem poderes, por exemplo.
Para todos os aficionados em quadrinhos de plantão que queriam um sistema de combate legal finalmente conseguimos! Claro que na maioria dos sistemas o Hulk batendo no Justiceiro faria deste último uma mancha no chão, porém as regras de combate de M&M permitem e encorajam uma cena na qual o jogador que recebeu o golpe seja empurrado para trás e atravesse uma ou duas paredes (sério, tem regras pra isso), e depois levanta meio tonto mas perfeitamente bem. Essa é uma das grandes diferenças entre D&D e M&M, não existem pontos de vida, a maioria do dano que é causado simplesmente dificulta as ações do seu personagem, como se ele estivesse tonto, o que faz com que seja mais fácil ele sofrer dano novamete, assim um espancamento acaba nocauteando um personagem, mas raramente matando. Na verdade nem mesmo existem pontos de vida pra marcar isso.
Finalmente acho que preciso comentar um pouco sobre os suplementos e recursos de jogo. Começando pela lista de poderes que já é bastante ampla e permite praticamente qualquer super-herói conhecido (e alguns desconhecidos) e obviamente misturar os poderes para criar o seu personagem. Perceba que para estes fins superequipamentos alienígenas, armas especiais e afins estão listados como poderes. Para aqueles que realmente gostaram do livro básico recomenda-se o livro Manual do Malfeitor, que possui outra lista de superpoderes tem uma sessão específica para aqueles jogadores chatos que, assim como eu, gostam de ter aquele poder super legal que mais ninguém lembra que existe.
Por outro lado Agentes da Liberdade é um excelente suplemento para o mestre iniciante que quer partir de uma base conhecida, nele você encontra um cenário inteiro pronto e esperando para abraçar os personagens que os jogadores criarem. O mais novo suplemento, o livro da magia, talvez uma referência ao conhecido quadrinho de Neil Gaiman ou apenas uma feliz coincidência, traz uma lista de equipamentos mágicos e estereótipos de criaturas místicas como fadas e etc; assim como boas idéias para incluir esses personagens nas estórias.
Uma das principais críticas ao jogo no Brasil é o tipo de impressão da publicação. O escudo do narrador da versão brasileira é muito fino e leve segundo alguns jogadores. Outra crítica é à encadernação dos livros, por serem de capa mole com arte interna em preto e branco, porém o preço mais do que compensa, R$39,90 atualmente, faz do livro básico um dos jogos mais baratos no mercado brasileiro e definitivamente o melhor custo benefício para os fãs de quadrinhos!