Ainda me lembro do dia que eu, J.Maximus, baixei a demonstração de Enslaved: Odyssey to the West no PlayStation 3. Eu não sabia nada sobre este jogo, baixei apenas por baixar. Poucas horas depois, comentei com a Gwen - minha esposa, que apesar de não jogar esse tipo de jogo, gosta de acompanhar a história... - que era um jogo razoável, tinha potencial mas faltava alguma coisa para se tornar imperdível. Muito tempo depois, eu até tinha me esquecido que este jogo existia quando, consultando a internet, encontrei uma promoção relâmpago de Enslaved: Odyssey to the West por apenas 31 reais. É isso mesmo o que você acabou de ler... um jogo de PlayStation 3, em um lindo e original blu-ray pelo equivalente à 31 reais. Limitado à uma cópia por pessoa, faltavam menos de 24 horas para a promoção expirar. Não pensei duas vezes, saquei meu cartão de crédito internacional e realizei a compra.
Bom, uma vez eu ouvi dizer que demora 4 dias para um pacote sair do continente asiático e chegar no Brasil. E outros 30 à 90 dias para chegar nas nossas mãos... Enfim, mais uma vez esqueci que este jogo existia...

Edição de Colecionador de Enslaved: Odyssey to the West
Não, não foi essa que eu comprei...
Mas, um dia ele chegou! Joguei a primeira fase novamente, e em seguida, me deparei com aquilo que seria uma incrível aventura, que eu não esperava que Enslaved pudesse proporcionar. Bom, vou contar a minha esperiência com este jogo, sem revelar spoilers do terceiro capítulo em diante ( São 14 capítulos no total... ). Vou focar nos dois primeiros capítulos apenas!
O primeiro capítulo - que vem na demonstração - serve como tutorial, para você aprender os movimentos básicos. Nele, você começa em uma gigantesca nave cheia de escravos ( embalados individualmente ), em cápsulas. Algo não vai bem e algumas áreas desta nave começam a explodir, onde um escravo-guerreiro chamado Monkey, é libertado. Sem saber o que está acontecendo, o instinto de sobrevivência fala mais alto e faz com que Monkey queira sair dalí. Então ele vê uma jovem humana, correndo pela nave que é comandanda por robôs ( Mechas ). Obviamente, ela pode ser o motivo das explosões, então Monkey decide ir atrás dela, mas ela foge.

Tá explodindo tudo, corre Monkey!
Monkey consegue recuperar seus pertences - um bastão para descer a porrada e escudo de energia, que o defende de tiros - e continua correndo atrás da jovem, derrotando robôs pelo caminho, enquanto a nave é danificada cada vez mais, a cada minuto que passa. No final do primeiro capítulo, a jovem está dentro de uma cápsula de fuga ( a última que sobrou ) e Monkey... bom, ele se agarra à esta cápsula de fuga e vai junto - só que pelo lado de fora...
Mas é a partir do segundo capítulo, que o jogo começa a mostrar ser digno de respeito. Quando Monkey acorda - meio tonto por viajar do lado de fora da cápsula de fuga - ele percebe que tem uma " Bandana de Metal " presa na sua cabeça. Ele foi colocado pela jovem Trip - que é expert em tecnologia - pois ela estava com medo das intenções do escravo-guerreiro-fujão - e ela é uma jovem indefesa. Então, graças à este implante-tecnológico, Monkey se tornou escravo da moça. Não, não há um controle mental, mas se ela morrer o dispositivo matará Monkey em segundos ( E obviamente, se for removido enquanto acionado, também... ). Trip pede que ele a leve para casa, em segurança. Promete que, ao realizar esta missão, ela desligará o aparato tecnológico e tornará Monkey livre. Ele não tem outra opção...

Que dor de cabeça você foi arrumar, Monkey!
Junte então, esta relação conturbada entre os dois protagonistas com um planeta Terra destruído. Não há mais civilizações como conhecemos, mas há robôs assassinos espalhados por aí, protegendo regiões que aparentemente, não tem razão para serem protegidas ( Eles estariam obedecendo ordens antigas...? ). É um erro resumir a jogabilidade de Enslaved em poucas palavras, pois apesar da base ser "andar e distribuir porrada nos inimigos", há muitos elementos para serem escalados ( Lembrando Prince of Persia e Uncharted ), momentos onde você precisa ser furtivo e eliminar sistemas de segurança, há trabalho em equipe, alguns quebra-cabeças ( Nada muito complexo, é verdade... ). Há também fases de velocidade ( onde você vai usar o Cloud, um skate futurista feito de energia, que flutua a alguns centímetros do chão... ) e fases onde você controlará uma metralhadora em cima de um barco.

Assim começa uma longa e surpreendente aventura!
Durante o jogo, você vai encontrar algumas máscaras brancas, que somente Monkey poderá enxergar. Elas contém "lembranças" de um mundo antigo. Encoste nelas e você verá cenas reais do nosso mundo ( Sim, fotos de verdade... Contrastando com o 3D do jogo... Note que quase sempre, aparece o mesmo homem nessas lembranças... ).
O final do jogo é surpreendente. E o melhor, o jogo termina mesmo. Ele responde à todas as perguntas importantes e finaliza. E isso é bom...? Claro!
Mas teria espaço para uma continuação...? Sim! O mundo apresentado em Enslaved é amplo e rico, não seria difícil criar uma nova aventura, com novas tribos de sobreviventes, em uma nova e surpreendente aventura. Mas infelizmente, a Ninja Theory - estúdio responsável por este jogo - anunciou que não haverá continuação, devido a baixa procura por este jogo.

Esses Mechas só entendem a linguagem da porrada!
Enslaved é perfeito...? Não, confesso que me irritei com alguns problemas de câmera e alguns bugs de sons - às vezes, o som saia atrasado ou simplesmente, não saia, em porradas e explosões. Tameem Antoniades, co-fundador da Ninja Theory, assumiu publicamente: “Enslaved deveria ter se saído melhor”. Mas isso não justifica as baixas vendas, pois no conjunto da obra, os bugs são pequenos! Seria um erro de marketing...? Não houve propaganda suficiente...? Sinceramente, eu não sei...
Mas Enslaved: Odyssey to the West é um jogo excelente, para quem arriscar a se aventurar nele. Ele foi lançado em Outubro de 2010 para PlayStation 3 e XBOX 360, portanto, não é um jogo caro, uma vez que já não é mais um lançamento. Se você tiver oportunidade, dê uma chance à este jogo e surpreenda-se!

Monkey, usando o Cloud para se locomover rápido sobre as águas!
Alessandro Taini, um italiano que atualmente mora na Inglaterra, é o responsável pela arte conceitual de Enslaved ( e de outros jogos, como Heavenly Sword e o polêmico novo Dante "Bad-Boy-Punk" de Devil May Cry ). Confira alguns de seus trabalhos relacionados à Enslaved:

Monkey e Trip

Monkey descansando um pouco...

Monkey, analisando o melhor percurso...

Monkey, escalando...

Trip

Trip, consertando coisas...
Se quiser se aprofundar no trabalho deste artista, acesse seu blog: http://alessandrotaini.blogspot.com/

O que Monkey de Enslaved e Goku de Dragon Ball tem em comum...? Não, Monkey não é um Sayajin...
Os dois fazem referência à macacos, possuem um bastão que pode ser usado para lutar e voam em uma nuvem mágica... Sim, estes dois personagens foram baseados na mesma lenda chinesa: Jornada ao Oeste ( http://pt.wikipedia.org/wiki/Jornada_ao_Oeste ).
• Em 08 de Outubro de de 2011 às 01:20