2 de Junho – Dia Marvel
A abertura do evento no sábado ficou por conta dos editores da divisão Marvel da Editora Panini, Fernando Lopes, Rogério Saladino e Paulo França, que comentaram as capas das edições de Junho, com observações especiais sobre a tão aguardada nova saga “A Essência do Medo”.
Depois do relançamento do volume 1, o encadernado de Os Supremos terá continuação, “em edição especial com vários extras”, segundo os editores. Além disso, o último volume de Os Novos X-Men, de Grant Morrison, também será lançado.
Se você acompanha Grandes Heróis Marvel fique tranqüilo porque ela não será cancelada. A revista têm tido um retorno muito positivo, afinal, o mercado nacional de quadrinhos cresce consideravelmente a cada ano. Vale lembrar que esta informação veio de uma editora que detém o monopólio da DC e Marvel no Brasil, além de também publicar Turma da Mônica e Turma da Mônica Jovem.
Com relação ao grande símbolo da Marvel, o Homem-Aranha teve um tempo do painel dedicado só a ele. Os editores não descartaram várias possibilidades: de lançar as revistas da série Ultimate por aqui; e lançar a versão do Aracnídeo para a “Coleção Histórica Marvel”, que no momento é sobre Os Vingadores, com histórias super antigas.
As palestras do dia foram com os ilustradores Renato Guedes (Wolverine), Ibraim Roberson (X-Men) e Will Conrad (Os Novos Vingadores), que conversaram em tom bem descontraído com a platéia sobre os processos de criação de uma página de quadrinhos, os problemas com prazo apertado, observações bem-humoradas sobre a relação com os outros profissionais da indústria – Ibraim, por exemplo, disse que tem problemas com arte-finalistas porque nenhum artista gosta que mexam em seu trabalho.
O bate-papo com Renato Guedes
De todos, Renato Guedes foi o mais informal de todos. Diferentemente dos outros, que ficaram à mesa e usaram o telão para mostrar imagens, Renato literalmente se sentou na beira do palco e começou direto com perguntas da platéia, o que caracterizou um bate-papo totalmente despretensioso.
Como artista brasileiro internacional, ele teceu alguns comentários bem interessantes sobre a indústria. “A DC e Marvel não aceitam roteiristas estrangeiros,” disse em resposta à uma pergunta. “Tem só um inglês lá, mas é exceção; o principal problema é a forte barreira lingüística, porque não precisa saber só falar Inglês, tem que ter profundo conhecimento da cultura de diversas regiões e domínio das várias linguagens.”
Renato comentou que não gosta muito dos filmes de super-heróis, e agradeceu pelo universo do cinema não interferir no universo dos quadrinhos – em histórias e design. Além também nos passou uma informação muito interessante “de fontes internas’: as vendas de gibis têm um salto grande por cerca de 2 meses após o lançamento de um filme de heróis, que normaliza depois. “É o pessoal que se empolga com o filme, mas não consegue gostar do material de origem e desiste,” concluiu.
3 de Junho – Dia DC
Leitura do novo design do Superboy
O domingo seguiu os mesmos moldes do sábado: um painel com os editores da divisão DC da Panini, Levi Trindade (editor de Batman, Lanterna Verde e Liga da Justiça), Bernardo Santana (Superman) e Alexandre Callari (Esquadrão Suicida e outros). O foco principal da conversa – incluindo as perguntas do público – foi sobre Os Novos 52, sem surpresas. Mas eles dedicaram várias respostas para falar sobre Jonah Hex, que está incluso na reformulação da DC, mas cuja série anterior ainda não foi publicada na íntegra por aqui.
A grande palestra do dia, porém, foi com o quarteto de artistas brasileiros, todos trabalhando em Os Novos 52: Ivan Reis, Joe Prado, Rod Reis e Ed Benes. Embora parecesse que Ed estava acuado, foi na verdade Joe Prado e Ivan Reis que não paravam de falar. Ah, Ivan, Joe e Rod (junto com o roteirista Geoff Johns) são a equipe responsável pela revista do Aquaman. Vou usar uma expressão, neste texto, que eles nos ensinaram.
Esta foi, de longe, a palestra mais disputada; o auditório estava lotado além da capacidade máxima (120 pessoas) e muita gente acabou sentando no chão. E foi, também, a palestra mais divertida. Como são todos amigos pessoais de longa data, os quatro falavam como se a platéia também fosse velha amiga.
Novo Aquaman consideravelmente mais aquaralho
Eles começaram se apresentando, contaram quais trabalhos já fizeram, quais personagens já desenharam, em quais revistas já trabalharam (Joe Prado ficava soprando tudo pra todo mundo; o cara é uma enciclopédia viva) e abriram para as perguntas.
As informações mais interessantes que eles nos passaram: eles mesmos escolheram trabalhar com o Aquaman que, segundo eles mesmos, “é um herói de quem ninguém gosta!” Hoje, a revista vende duas vezes mais do que as da Marvel. “Isso é Aquaralho!”
Os Novos 52
A reformulação do Universo DC foi a grande estrela do evento. “Às vezes, a gente precisa ajeitar a bagunça para trazer uma nova leva [de leitores]”, disse Joe Prado, reiterando aquilo que escrevi na minha
primeira coluna: é muita coisa para ler; são mais de 70 anos de histórias, como eles mesmos recordaram.
Character sheet do Batman durante palestra
Com a reformulação, a DC Comics se permite, além de recriar as origens dos heróis, a nos oferecer histórias mais modernas, mais compatíveis com o contexto social, cultural e político do momento – por exemplo, o Planeta Diário agora é todo multimídia, tem podcast, tem noticiário online, feed de Twitter (como apresentado em Superman #1 desse mês).
O redesign dos uniformes também é de vital importância. Os artistas, porém, reforçaram que os heróis são os mesmos símbolos que sempre foram, só que com roupas diferentes. “Se tiver um dia frio, a Diana pode ir lá e vestir uma calça se quiser!”, brincou Ivan. Apesar de estarem com visual muito diferente (veja Superboy, Alan Scott e Jay Garrick, por exemplo) eles retêm no uniforme os elementos que definiam o conceito da roupa.
Jay Garrick e seu novo visual
“As roupas mudam,” Joe observou. “Apesar de serem a mesma coisa na essência, a moda na época dos nossos pais era bem diferente da nossa, e os quadrinhos precisam refletir isto.”
Joe, aliás, foi o responsável pelo redesign de diversos personagens, cujas character sheets foram exibidas no telão, conforme o artista explicava as idéias por trás, o contato com os editores e o processo de criação.
Depois da palestra, os artistas foram para as sessões de autógrafos, onde também rabiscavam uns rascunhos para seus fãs. Concorrido e lotado, mas muito legal.
• Em 15 de Junho de de 2012 às 17:35