Sejam muito bem-vindos à Coluna DE QUADRO A QUADRO, um espaço onde eu, Greg Candalez, vou abordar semanalmente temas relacionados ao universo dos quadrinhos, seriados e filmes. Se quiserem, podem me mandar sugestões de temas ou assuntos por e-mail. Nesta semana, vou abrir com um grande anúncio, feito pela Panini, para todos os fãs de revistas em quadrinhos: o lançamento de Os Novos 52 por aqui. Boa leitura!
Ano passado, a DC Comics lançou "Os Novos 52" (The New 52, no original), que foi o reboot completo de alguns títulos do Universo DC, empreendido depois da conclusão da saga Flashpoint, na qual o Flash acorda numa linha alterada do tempo, quando tudo é diferente.
O que a DC fez em ‘Os Novos 52’ foi, basicamente, cancelar todas as revistas que publicava e recomeçar tudo do zero em novas "Edições #1", com personagens modernizados e novas histórias de origens; ao todo serão, como o nome sugere, 52 publicações.
E, neste mês, a Panini anunciou aos fãs brasileiros de quadrinhos que vai lançar, a partir de Junho, “Os Novos 52” em português. E para acompanhar esse que é o maior acontecimento nos quadrinhos dos últimos tempos, uma grande feira de comics em São Paulo - A Super Power Con. Dias especiais para Marvel e para DC, com uma porrada de atrações. Dá uma olhada no serviço, no fim deste texto.
Capa da primeira edição da Liga da Justiça - Novos 52
Mas o que isso significa?
A DC Comics é uma das editoras mais antigas do mundo e sempre teve ideias pioneiras. Ela nasceu como National Allied Publications, em 1934 (cinco anos antes daquela que viria a se chamar Marvel), e publicava as revistas Detective Comics (onde nasceu Batman e que acabou renomeando a editora), New Comics (que virou Adventure Comics) e, finalmente, Action Comics, o berço de ouro do Superman e da Era de Ouro dos Quadrinhos - cujo conceito se tornou o arquétipo a definir todos os super-heróis dali em diante.
Há mais de trinta anos, no entanto, e especialmente na última década, a DC tem perdido em popularidade para a Marvel – principalmente porque a casa do Stan Lee tem investido pesado em mídias diferentes para apresentar seus super-heróis ao público mainstream. Através do cinema, seus heróis têm estrelado sucessos de bilheteria há pelo menos dez anos, iniciados em 2002 com o Homem-Aranha.
Tirando o Batman de Nolan, a DC até que tentou emplacar uns blockbusters, mas sem muito êxito: Lanterna Verde foi uma vergonha em todos os sentidos; Superman falhou feio por tentar imitar o Christopher Reeves e por se prender a clichês do Homem de Aço de 70 anos atrás; o Flash não tem um live-action desde 1990 e a última tentativa de colocar a Mulher Maravilha na pele de uma atriz que não é a Lynda Carter foi, por sorte, cancelada pela NBC ano passado. Do Aquaman, as pessoas só se recordam por causa dos vazamentos de petróleo.
"Os Novos 52" é, sem dúvida, o maior reset total dos últimos anos. Em 1977, a editora fez algo semelhante, o que ficou conhecido como “Implosão DC”, que cancelou abruptamente vinte títulos mensais. Mas não foi um reboot porque nenhuma história foi reiniciada.
Novas origens ou historias em realidades alternativas são comumente usadas como forma de publicidade gratuita. Lembram-se de quando a Marvel anunciou “A Morte do Capitão América”, em 2009, que foi noticiado em todo canto? Até mesmo com séries atuais; a capa do próximo Avengers vs. X-Men é um Homem-Aranha incinerado pela Fênix. A própria Marvel reescreveu tantas vezes as origens do Aracnídeo que Peter até chegou a virar web designer; a DC Comics, nos últimos dez anos, reescreveu a origem do Superman quatro vezes. Mas 'Os Novos 52' representam um reinício sem precedentes na história da indústria dos quadrinhos.
Liga da Justiça e os novos uniformes - Aquaman, Lanterna Verde, Mulher Maravilha, Superman, Batman, Flash e Cyborg
O plano da DC é simples: além de atrair atenção e angariar novos leitores, o redesign dos personagens e das histórias lhes incute um tom moderno. Isso permite à DC abordar diferentes temas por diferentes óticas, com histórias de origens mais compatíveis com a cultura do século XXI e a realidade dos novos leitores. Eles, em razão das animações de sucesso na TV, como Young Justice, Os Vingadores, Ultimate Spider-Man e Lanterna Verde, podem têm maior receptibilidade às mídias originais dos heróis.
Começar uma coleção do começo é, também, muito melhor. O garoto que quiser começar a acompanhar as histórias vai ter de ler mais de 500 revistas pra se inteirar do que está acontecendo, um volume de leitura maior do que ele certamente terá lido na escola e, talvez, na faculdade. Isso sem contar a estranheza ao estilo de certas épocas. Se você já leu a primeira história do Superman, vai entender do que estou falando.
Resta-nos esperar e ver se vai dar certo. Uma estratégia ousada como esta precisa ser bem executada, de modo que não enraiveça os fãs tradicionais, mas que seduza os fãs novatos. Nos EUA, Os Novos 52 estão rolando desde Setembro do ano passado e têm tido uma excelente receptividade.
Antes do lançamento, pré-vendas para a nova ‘Liga da Justiça’ passaram de 200 mil unidades e a revista teve de ser reimpressa quatro vezes; à época, os gibis se esgotaram. Naquele mês, 8 das 10 comics mais vendidas, apesar de Ultimate Spider-Man (o megassucesso da Marvel) foram da DC. E a editora só veio perder o posto de “Mais Vendida” sete meses depois, com o lançamento de Vingadores versus X-Men.
As opiniões sobre a qualidade das novas revistas divergem tanto que não há um consenso – teve gente que amou e teve gente que odiou; alguns especialistas do setor afirmaram que, embora a qualidade da arte esteja excepcional, as histórias ainda estão um pouco fracas, mas que há títulos incrivelmente fortes (não surpreendentemente o caso de Batman). Eu pretendo aproveitar a promoção da Panini e fazer minha assinatura (desativada desde que a Abril Jovem cancelou assinaturas de comics uns 10 anos atrás).
Capa de Batman #1 - New 52
Os Novos 52 levaram um tempo para chegar a nós, mas chegaram rápido – se compararmos com o hiato de cerca de dois anos que tínhamos com relação às publicações originais, uns anos atrás. Foram apenas nove meses, tempo suficiente para a Panini gestar o que pode vir a ser seu novo filho favorito.
Serviço
Quando: de 2 a 3 de Junho
Onde: SENAC Lapa
Quanto: Gratuito
O quê: Sábado é o dia da Marvel, Domingo, da DC, para celebrar o lançamento dos Novos 52; vai ter mesa-redonda com os editores Levi Trindade, Bernardo Santana e Alexandre Callari; exposição de fotografia; quadrinhos com desconto; Cosplayers (possivelmente várias de Power Girl); concurso de desenho, concurso de vídeo e mais.
• Em 22 de Maio de de 2012 às 13:38