A minha história se inicia numa era na qual o tempo se perdeu. Junto aos corpos sem vida de milhares de soldados que espalharam o terror a outras milhares de pessoas... Homens, mulheres e crianças... Criaturas ou humanos...
Lembro-me de abrir os olhos ainda submersa em uma enorme poça de sangue. Mesmo debaixo do líquido viscoso que não me possibilitava respirar, pude ouvir uma forte voz, ou melhor, um forte coral a bradar um único nome; “Walker”.
Sim, era assim que eu era conhecida. Sem hesitar, comecei a mover os braços lentamente, tornando o movimento cada vez mais forte. Meus braços eram acompanhados harmonicamente pelas pernas, impulsionando-me para cima. Alguns centímetros e logo meu corpo se revelaria à superfície, e mesmo que tivesse demorado a subir tanto, não havia algum incômodo em meu peito quanto à falta de oxigênio, afinal, aquilo era um mero detalhe.
Revelei-me aos poucos. Mostrando aos ali presentes primeiramente meus sedosos fios, donos de um rubro tão vivo – ou morto, caso preferir - como o sangue daquele poço. As vozes a me chamar calaram-se. Mantive os olhos fechados, naquela altura eu podia sentir um degrau, assim como algumas emoções vindas dos que haviam me chamado; Eles me temiam!
Firmei o pé destro sobre o degrau de pedra mergulhado no sangue e então levei o pé esquerdo para o degrau seguinte, revelando aos outros meus lábios rosados e macios. Pus o outro pé à frente, cada vez mais me livrando do sangue que escorria pelo meu corpo, encharcado com o líquido rubro, assim como também tinha seu cheiro preso à minha alva e macia pele.
Realizei o passo seguinte. Mostrei a todos sem o mínimo pudor os fartos seios. E logo mais algumas curvas que estavam presentes em meu corpo. O sangue estava à minha cintura, facilitando, agora, me mover. Uma vez com o sangue em meus pés, pude sentir o doce perfume se aproximar, trazia-me lembranças do cheiro dos campos floridos e abertos. Dando-me o mínimo de sensação de liberdade.
As mãos trêmulas me entregaram alguns trapinhos. O tecido não era similar ao que uma criatura “delicada” como eu aparentava vestir. Apertei com pouca força um pedaço do que haviam me entregue, e então movi suavemente os dedos, acariciando a pele do animal morto. Sorri brevemente; debochada.
Vagarosamente fui abrindo as pálpebras, revelando os orbes donos de um tom negro amedrontador. O local mal iluminado trazia-me a sensação de estar em uma masmorra, talvez os corpos amontoados ao redor do altar onde eu me encontrava situavam essa ideia.
• Em 13 de Fevereiro de de 2012 às 20:39