Seguramente ele é o terror dos hipocondríacos e o carrasco dos maníaco-depressivos. Como protagonista e chefe da equipe médica do seriado, Gregory House costuma chamar atenção por onde passa com o ferrenho manquitolar, a ligeira displicência no visual e muito de seu ácido humor.
A série que se tornou um verdadeiro cult nos últimos anos trata sobre o drama diário num hospital onde apenas pacientes que sofrem com doenças misteriosas acabam tendo atendimento especializado com uma 'celebridade às avessas'.

Pose de House para a ' Medical Vogue '
O Dr. House é antipático, mal educado, brutalmente honesto e muitas vezes indiferente ao sofrimento de seus pacientes. E quando eles ou seus familiares demonstram seu desespero, lá está ele com seu olhar cético e investigativo de homem de meia meia-idade até mesmo quando se comporta como uma criança de 7 anos (com brincadeiras e as traquinagens mais sádicas possíveis) e em outras em que se assemelha a um velho reumático capaz de morder no caso de maior aproximação. Portador de uma deficiência na perna direita, ele é divorciado e na maioria das vezes odiado por seus iguais, que julgam o seu comportamento execrável e tentam separar o médico... do monstro, inutilmente é claro!
Dizem que o riso obscurece a dor e House parece acreditar nisso especialmente quando se mostra incrédulo, sádico e até mesmo cruel em certas situações, o que com que todos desconfiem de seus métodos comprovadamente eficazes e quase nunca satisfatórios. É importante dizer que House é do tipo que não crê na conversa com os doentes, pois alega com veemência que eles mentem e trapaceiam quem se dá esse trabalho fazendo com que o tempo de resolução do problema seja maior do que o necessário (e assim ele mantém sua desculpa para não ser sociável ou terno com alguém).
Pode não parecer, mas ele tem como ponto alto de seu dia a arte de clinicar e até mesmo mantém um placar minuciosamente elaborado contendo efeitos e possíveis causas para que ele e a equipe tenham maiores chances de checar todas as hipóteses que circundam uma enfermidade antes de entregar o diagnóstico. É um verdadeiro jogo, com direito a comemorações (quando ele vence) e humilhações exageradas (quando seus subordinados perdem) . Na vida pessoal, existem aspectos que mostram como ele pode seguir do 'tirano-de-bengala' diretamente para o 'tiozinho-quase-simpático' no jockey-club. A verdade é que ele possui poucos amigos e não tem facilidade alguma de expor sentimentos ou interagir com alguém que faça parte do grupo de médico-residentes inseguros ou seus pacientes moribundos.

House e sua nova bengala flamejante
Um bom dia para ele é aquele em que o desafio o torna ainda mais louco, mordaz e agressivo, pois a doença é um adversário que merece uma resposta ofensiva e direta, pouco importando os problemas que isso trará. O resultado é uma batalha épica em que vale-tudo, desde que ele aprove. Este seriado tem qualidades únicas, evidencia um humor-negro cortante tamanha sua inteligência e nos faz reconhecer que os argumentos de House não são nada ruins, especialmente no final de cada episódio quando ele tira sua máscara (mesmo que por um segundo) e nos permite enxergar que todos somos de certa forma... iguais.
Sem citar episódios, entregar spoilers ou fazer referência a atores do elenco (atual/passado) apenas indico esta série como arrebatadora e que merecedora de grande atenção. Assista e tire suas próprias conclusões. E caso não goste, não se preocupe: este seriado não possui nenhum tipo de contra-indicação.
• Em 14 de Março de de 2011 às 14:40