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Dicas de RPG
Armas Medievais – Parte II
Machado ou arco, qual seria sua escolha...?
Autor: Frost Hyral e Karrl
Publicado em 5 de Abril de 2007 às 16h33
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Aqui venho mais uma vez com a continuação da matéria sobre armas medievais, primeiramente gostaria de dizer que as armas orientais serão tratadas como um grupo a parte a ser discutido em outra possível matéria, com esta, apenas gostaria de continuar a discutir sobre os grupos mais básicos.

Na ultima matéria falamos de adagas (e similares), maças e espadas. Na atual, segue dados sobre lanças, machados e armas de projéteis (arcos e bestas). Mas primeiramente gostaria de explicar melhor algo dito na ultima matéria:

Foi dito que a espada era a arma mais utilizada em muitas épocas, não posso discutir a veracidade dessa assertiva, mas gostaria de dizer que nem sempre a espada era a escolha primordial.

Em grandes batalhas as espadas eram pouco usadas, os nobres as carregavam apenas como objeto de ostentação de status e poder, devido à sua complexa fabricação e seu elevado custo, a preferência em uma guerra era para a lança, machado ou maça, que causavam resultados mais imediatos e eram fáceis de fabricar.

Até mesmo os bravos samurais muitas vezes preferiam uma lança a utilizar a espada devido a fatores como o fio que poderia ser deformado com facilidade e sua não capacidade de ataque contra oponentes de armaduras de malha (a qual a lança era indiscutivelmente mais eficaz).

Agora vamos para a matéria propriamente dita:

O MACHADO

Um machado é uma ferramenta concebida para o corte/derrubamento de árvores. Tradicionalmente, é construído mediante a fixação de uma lâmina perpendicular a um cabo de madeira. Outros usos foram desenvolvidos, como por exemplo, para o bombeiro. Foi utilizado na antiguidade tanto para corte quanto para o combate. No combate, o machado era de difícil manejo, porém extremamente eficaz até para quebrar escudos.

O machado de guerra é considerado a arma do período antigo como a mais potente e destruidora arma de porte pessoal de curta distância. Somente uma arma fazia frente ao Machado, a flecha.

O machado possui técnicas diferenciadas da luta com espadas. Primeiro era necessário ser um homem forte, pois o uso do machado requeria muita energia, o segredo era de que no momento em que começava a se girar o machado, não parasse até acertar um alvo, pois é necessária mais energia para parar o machado do que mantê-lo em movimento, portanto no momento em que o machado entrava em movimento, se criava uma área ao redor do soldado inaproximável, inutilizando, assim, qualquer arma cortante, nem mesmo um escudo de metal fazia frente a ele, pois a sua pancada era suficiente para quebrar o braço de quem o utilizava.

Quem lutava contra o soldado de machado tinha poucas opções, pois no momento em que um machado começa a se mover ele não para até acertar um alvo, portando nada podia fazer um soldado de espada, o soldado deveria se mover rapidamente de modo que os golpes do machado não o acertassem, assim cansado o usuário do machado, facilitando no contragolpe. 

Uma outra variante do machado de guerra era o machado de pequeno porte, onde o soldado poderia assim usar um escudo para a defesa. Essa combinação de um machado pequeno com escudo era bom para a luta contra arqueiros, podendo então se aproximar do inimigo com o escudo oferecendo proteção. Esta variante não era muito eficaz contra cavaleiros ou infantaria com espadas longas.

Muitas tribos nórdicas e bárbaras do início da idade média, como os francos, usavam o arremesso do machado como arma de ataque. Outros usavam o melhor arremessador deste de modo a dividir as terras conquistadas, ou seja, o homem mais forte que lançava o machado mais longe, ficava com mais terras.

Mas a tecnologia substituiu a força, com o surgimento de infantarias totalmente cobertas por armaduras e arcos de longo alcance, o machado de guerra se tornou obsoleto.


A LANÇA


Dos vários tipos de lança, as mais conhecidas são a lança de arremesso e a lança montada utilizada em justas, enquanto a primeira era leve maleável e segunda deveria ser firme e pesada. Há também os piques, feitos geralmente de ferro e não servem para o arremesso, alabardas e ranseures que podem ser usados para derrubar e imobilizar os oponentes.

A lança é uma arma branca, constituída por uma longa vara com uma ponta afiada. A lança pode ser manejada ou atirada em direção ao oponente. É uma das armas mais antigas da humanidade, datando de períodos pré-históricos. Mesmo depois da descoberta dos metais,a lança não deixou de ser usada,ate o séc.XVII,quando a pólvora foi inventada.Normalmente as lanças se dividiam em três tipos: lança curta, pique(lança longa) e alabarda(lança provida com machado perto da ponta).

Pique é uma arma medieval usada pelos piqueiros, que constituíam a base da infantaria medieval. O pique consistia de uma lança de aproximadamente 3 metros com uma ponta de metal. O pique era a principal arma utilizada contra a cavalaria inimiga. Mesmo após o surgimento das armas de fogo, o pique continuou a ser usado. Sendo os canhões primitivos e os arcabuzes de disparo muito lento e impreciso, os piqueiros, em ordem cerrada, formaram o núcleo da infantaria européia até meados do século XVII. Sua máxima expressão foi o Terço espanhol (uma unidade de infantaria do exército espanhol). Depois, os piques foram desaparecendo aos poucos, sendo abolidos do exército francês em 1704.

A alabarda é uma antiga arma composta de uma longa haste, que é rematada por uma peça pontiaguda de metal, atravessada por uma lâmina de machado.

É uma arma barata de ser produzida e bem versátil em batalhas. A ponta no topo tem a função de uma lança, para golpes de estocadas, a lâmina lateral é um poderoso adicional, sendo capaz de partir armaduras, enquanto o gancho na parte de trás serve para derrubar oponentes montados.

A chamada “Espada longa do vaticano” usado pela guarda suíça, é na verdade uma alabarda de dois metros e meio de comprimento.

O ARCO

O arco é uma arma que atira flechas, impulsionadas pela elasticidade do arco. Era usado para a caça e guerra. A técnica de usar o arco é chamada arco-e-flecha.

O arco mais comum era o arco de caça, mas alguns povos utilizaram Arcos Longos, que tinham em média 1,80m. Os Arcos Longos foram usados pelo Império da Grécia, pelos Chineses e talvez por outros povos, mas pouco se sabe sobre isso na história antiga. Na idade média, era usado praticamente apenas pela Escócia e, principalmente, pelos ingleses, que viam no arco sua principal arma. Durante certo período na Inglaterra, todos os homens recebiam ordem real de treinar com o arco todos os domingos.

Os arqueiros, apesar de serem uma das principais armas da Inglaterra até a popularização das armas de fogo, quando o arco se tornou quase obsoleto, não eram nobres. Os nobres mantinham-se como cavaleiros até mesmo na Inglaterra. 

Tiro com arco - Os antigos egípcios usavam o arco e flecha para caçar e depois para se defender. Só passou a ser tratado como desporto a partir dos séculos XVI e XVII no Japão. O primeiro torneio de tiro ao arco, o Ancien Scorton Arrow, foi disputado na Inglaterra em 1673.

A corda do arco, feita de kevlar (mesmo material dos coletes a prova de bala), deve ser esticada pelos três dedos centrais, com ambos os braços em linha reta, até encostar-se ao queixo. Só depois de conseguir fazer naturalmente este movimento, sem esforço exagerado, é que o candidato a arqueiro começa a praticar com flechas.

A flecha, apoiada entre os dedos indicador e anelar, encaixa-se na corda por uma cavidade chamada nock.

No início, os alvos são colocados a dez metros de distância. Com o tempo, o atleta começa a treinar com distâncias maiores, até chegar aos dezoito metros, medida padrão das competições Indoor. Em competições Indoor cada arqueiro dispara 2 séries de trinta flechas, totalizando 60 flechas em alvos de 24 centímetros de diâmetro.

As flechas mais modernas são feitas de fibra de carbono com pontas de aço, nock de acrílico e atletas plásticas ou pena natural de ganso.

Os alvos são graduados de 10 a 6 à partir do centro. Quem manda uma flecha bem no meio, no número 10, 'acerta na mosca', como é popularmente chamado.

 

A BESTA

A besta ou balestra é uma arma com a aparência de uma espingarda, com um arco de flechas, acoplado na ponta de sua coronha, acionada por gatilho, que projeta flechas. Ela foi bastante usada no século XVI e chegou a coexistir com e depois foi substituída pelos mosquetes, primeiras armas de fogo. Hoje, continua a ser fabricada, pois é usada, em algumas partes do mundo, por caçadores. A palavra besta teria sido sincopada do italiano balestra, que por sua vez deriva do latim tardio ballistra, isso aconteceu por causa da proibição papal de utilizá-la contra outro cristão. Em regiões onde essa ordem não foi ouvida, ela tem outros nomes, como crossbow.

Tal proibição foi tranqüilamente ignorada por Ricardo Coração de Leão, que dotou seus exércitos de infantaria, em 1198, infringindo, também, o 'breve' (ato pontifício) de Inocêncio III, que apoiava as precedentes providências, definindo como 'micidial' (mortífera) a arma em questão. Ricardo Coração de Leão, quando explorava as muralhas do castelo de Limoges, que ele estava sitiando, em 1199, morreu em seguida a um ferimento recebido no braço direito, causado por um besteiro.

Acredita-se que a besta foi criada muito antes de cristo pelos chineses, Leonardo da Vinci Chegou a desenhar a besta, porém não a fabricou. As verdadeiras origens desta arma são controversas e de difícil conclusão já que muitos povos a utilizaram em pequena e grande escala. A besta tinha diversas variações e tamanhos para diferentes projéteis que podiam ser atirados sendo os mais comuns as próprias flechas e o Quadradelo de aço que continha uma ponta semelhante a uma pirâmide que facilitava a entrada na carne ou armadura inimiga.

A besta chinesa tem uma variante bastante interessante, a que foi chamada besta de repetição, e que consistia em uma única arma capaz de lançar de cinco a dez projéteis de uma só vez, mas era uma arma para grandes exércitos pois necessitava de, no mínimo, dois homens para carregá-la e armá-la (um homem sentado no chão esticando a corda com os pés para o alto enquanto o segundo carregava e orientava para a execução do tiro). Era uma arma para grandes quantidades de tiros e muito útil contra exércitos, onde eram atiradas milhares de flechas no ar que caiam sobre o campo inimigo, que podia estar até 350 metros do tiro e, após a violência do ataque das bestas, podiam fazer os ataques por terra já com os exércitos inimigos praticamente derrotados pelo imenso poder da rajada desta arma.

Já havia registros desta arma na Roma antes e depois de cristo como arma de caça ou de guerra. Na Europa, também há vários registros, inclusive na guerra dos cem anos onde os besteiros genoveses deram apoio à França contra a invasão da Inglaterra, porém foi mal sucedida pela fraca estratégia usada pelos franceses e pelo baixo número de guerreiros que utilizavam a arma.

Nesta época, entre o século XIV e século XVI, as bestas tinham um alcance considerável, entre 230 e 250 metros de distância, e pesavam cerca de cinco a sete quilogramas enquanto o arco longo inglês tinha um alcance entre 180 e 200 metros, o que apresentava vantagem da besta, porém a mesma tinha um intervalo muito grande entre os disparos: o besteiro tinha de colocar um novo quadradelo na haste, enrolar, então, a corda com uma alavanca, que se encontrava na parte anterior da arma, até ao ponto certo para o novo tiro, o que, além de requerer muita força física, ainda demorava cerca de dois a cinco minutos, tempo de que não se tinha na guerra contra os arqueiros ingleses que eram apelidados de Arlequim, que significa demônio, e os mesmos conseguiam atirar facilmente cerca de cinco flechas no curto espaço de vinte segundos.

Além disto, o besteiro sempre estava acompanhado de um segundo homem que carregava um pavês que é um escudo comprido feito de carvalho e salgueiro que era usado para defender o besteiro dos ataques de flechas inimigas nos momentos em que ele estava carregando sua besta que era sempre feito atrás deste escudo. A besta tinha uma força suficiente para atravessar a maioria das armaduras da época como cotas de malha e algumas armaduras leves de placas a uma boa distancia, porém havia outras bestas chamadas leves que não tinham o mesmo alcance e potência, sendo usadas principalmente na caça. A arma é dotada , ainda de uma espécie de coronha que o besteiro apóia de encontro ao ombro, quando faz a mira e, na extremidade oposta, de um estribo, ou gancho, para poder prender a besta à sela ou à cintura, e facilitar o porte da arma.

Uma variação da besta de repetição chinesa foi criada na Europa por volta do século XIII, consistia numa besta maior com cerca de quinze a 25 quilos que continha um encaixe para até sete Quadradelos que eram atirados com um pequeno intervalo de dez a quarenta segundos o que a tornava bastante preciosa.

Porém ficou obsoleta logo em seguida devido ao peso e tamanho grandes que dificultavam muito o transporte e uso da mesma que demorava também de cinco a dez minutos para recarregar, tinha muitos defeitos mecânicos, emperrava muito facilmente, tinha um alcance muito pequeno menos de trinta metros, necessitava de dois ou mais ajudantes para transportar mirar recarregar etc e pouca força contra as armaduras da época, foi desconsiderada logo após a criação como muitas armas, virou uma arma mais de decoração para ficar pendurada em paredes ou pequenas competições de tiro ao alvo não sendo uma arma para batalhas ou guerras pelo seu desempenho ruim e dificuldade de uso e transporte.

A besta de repetição teve uma nova chance no século XVII com a melhora considerável da mecânica e dos ferreiros, porém foi novamente descartada pelo auge das armas de fogo que estavam bastante avançadas comparadas com as primeiras criadas sendo novamente apenas produto de decoração ou competições e caça.
A besta de gancho é assim definida por causa do gancho pendente do pulso do besteiro. Com isso ele puxava a corda até conseguir esticá-la o quanto necessário. As manuais ou portáteis, que eram carregadas e manejadas por um só homem, a pé ou a cavalo, distinguiam-se das 'pesadas', que eram posta sobre bancos ou cavaletes, para a defesa das muralhas ou para serem usadas nos campos de batalha.

A BALISTA

A balista era uma máquina de guerra da antiguidade que atirava dardos. Basicamente são arcos ampliados que são colocados ao chão, só que deitados. Os dardos eram constituídos de pedaços de madeira longos e finos com uma ponta, às vezes de metal, em um de seus extremos.

A forma de arremesso era bem simples: esticava-se um pedaço longo de borracha (ou de outro material flexível, no início somente artelhos de boi) e colocava-o sobre uma trava que impedia o disparo acidental.

Logo depois colocavam o dardo sobre uma fileira talhada no suporte de madeira. Quando a trava era retirada o material elástico esticado voltava à sua posição em repouso, lançando para longe o dardo. Geralmente o colocavam de forma inclinada, pois assim poderia ser arremessado mais longe.

Não citei aqui alguns grupos de armas como as marciais e outros tipos exóticos, algo que pretendo talvez fazer outro dia, mas espero que os jogadores tenham matado suas duvidas quanto às armas medievais mais tradicionais.

[ Esta matéria foi produzida sob a consulta de diversas fontes. Queremos agradecer ao Wikipédia pelo apoio! ]

Comentários
Confira agora os comentários dos Usuários:
[ 9 de Janeiro de 2007 às 11h27 ]
 
Gostei da matéria, muito boa. Espero que os mestres e jogadores usem isso para melhorar suas partidas , principalmente quando criarem a ficha de uma arma, que levem em conta a funcionalidade e desvantagem delas. era isso ótima matéria, como todas outras

[ 12 de Janeiro de 2007 às 12h57 ]
 
Adeorei esta matéria mas gostaria de fazer duas colocações: a Grécia era apenas o nome dado á região constituída de várias cidades estado e não um império, os gregos não usavam qualquer tipo de arco pois isso era contrário á seu código de honra.

[ 12 de Janeiro de 2007 às 17h40 ]
 
qual a melhor arma de se lutar em combate ?

[ 23 de Janeiro de 2007 às 10h34 ]
 
Muito boa a matéria. As bestas e arcos são utilizados de forma bem errada em muitos rpgs por aí. Eu já havia procurado algo sobre elas para dar uma base aos meus jogadores, mas agora não preciso mais (Thx Frost Hyral e Karrl).

Respondendo ao cara acima, depende muito da sua perícia meu caro. Na minha opnião prefiro as espadas, pois além da fama e da história da mesma, é a mais versátil, considerando 'espadas de uma mão' e longas (duas mãos). Mas isso é como politica e religião, cada um tem sua visão própria e não vai mudá-la por algo que eu possa dizer. Como está na materia, os machados também são bem poderosos, mesmo contra espadas. Pense sobre isso... =D

[ 26 de Janeiro de 2007 às 17h35 ]
 
Kra... Q fera..
Eu sempre dizia q eu jogava meu machado na kbça do kra...
Masnum da neh...
Vlw...
A matéria fiko digana de nota

[ 30 de Janeiro de 2007 às 10h39 ]
 
num tem espada num???

[ 4 de Fevereiro de 2007 às 11h38 ]
 
Espadas estão presentes na parte I. Obrigado a todos!

[ 10 de Novembro de 2007 às 14h53 ]
 
Eu prefiro o arco pois ele é bem mais leve que o machado e mais fácil de manusear, mais isso não quer dizer que o arco pode ser usado por qualquer um, é preciso muita destreza para usa lo e seu alcance é bem maior

[ 14 de Novembro de 2007 às 14h23 ]
 
Ótima máteria, realmente muitos pensam logo de cara na glória e agilidade da espada, mas por ser muitas vezes comum, alguns se especializam em outros armamentos. Em Werewolf The Dark Ages minha arma favorita é o machado, além da funcionalidade das presas, ele é uma ótima arma para ataques secundários. Parabéns pela matéria mais uma vez! T+ ^^

[ 25 de Abril de 2008 às 22h24 ]
 
Matéria perfeita cara!
Na minha opnião melhor que a primeira!
Vamos ver a terceira... XD

Agradeço, Twwing.

[ 12 de Fevereiro de 2009 às 15h58 ]
 
Cara sua matéria ficou dez adorei vai me ajudar muito na criação do meu proprio RPG

[ 22 de Março de 2009 às 16h19 ]
 
Ótima matéria! Todas armas tem pontos fortes e fracos, por isso os exercitos possuem especialistas em cada tipo, pois elas acabam se complementando.
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